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09/01/2020 - 09:33

Em temporada de captura de onças, pesquisadores dormem em alerta

[ FOTO: Divulgação ] Pesquisadores fazendo avaliação das Onças

Sombra, Oreia, Pandhora e Fênix. Estes são os nomes das quatro onças-pintadas capturadas em dezembro para pesquisas e monitoramento dos integrantes da associação Onçafari no Refúgio Ecológico Caiman em Miranda, município distante a 206 quilômetros de Campo Grande. As capturas são resultado de trabalho em equipe que envolve estudo, estratégia e pesquisadores em estado de alerta até na hora de dormir.


A temporada de captura dura, em média, duas semanas e participam dela veterinários, biólogos, guias de campo e coordenadores da Onçafari. Eles chegam no refúgio e começam a montar as armadilhas no primeiro dia. As informações sobre os melhores locais para a montagem dos laços são obtidas com biológicos selecionados que já atuam na região.


Durante o dia as armadilhas ficam fechadas, mas por volta das 18h os pesquisadores começam a ativar cada laço. O horário tem relação com o período em que esses felinos estão mais ativos e começam a caminhar.


As armadilhas são montadas a uma distância de no máximo 30 minutos da base onde os pesquisadores ficam. Em linhas gerais funciona assim: o animal passa por ali, ativa a armadilha com a pisada e enquanto está tentando se livrar do laço, em que transmissores estão acoplados, acaba emitindo sinais sonoros que são captados pelos pesquisadores.


Os pesquisadores dormem prontos, com roupas e equipamentos de campo organizados e se revezam no monitoramento. A cada uma hora, um deles verifica a frequência dos transmissores para saber se teve qualquer alteração indicando a presença de uma onça.


São montadas entre 10 e 15 armadilhas em um raio de cinco quilômetros ao redor da base, mas esse número não é exato e varia a cada temporada.

 Quando a armadilha dispara, todos se unem para chegar até a armadilha o mais rápido possível. Normalmente, os pesquisadores estão em caminhonetes.


Os veículos são estacionados um pouco distantes do local onde as onças estão presas aos laços.Veterinário e biólogo são os primeiros a se aproximar. Com arma tranquilizante em mãos, eles aplicam anestésico no animal e ali mesmo estimam o peso.


O efeito do tranquilizante não é imediato. Demora, em média, 10 minutos para as onças "caírem no sono" e assim que elas começam a dormir os outros pesquisadores se aproximam e dão início aos trabalhos.


Tem coleta de sangue, de urina, verificação da presença de carrapato, análise da dentição para estimar a idade, monitoramento da frequência cardíaca. É um verdadeiro check up antes da instalação do colar com GPS. O acessório só vale para os animais adultos, conforme explica Gustavo Figueirôa, um dos integrantes da Onçasafari. "Não colocamos nos jovens porque eles vão crescer e pode apertar",


 Após todos os exames, os pesquisadores colocam o animal em local seguro e acompanham o retorno do sono. Nem um deles deixa o local antes de perceber que a onça está em condições perfeitas de seguir pela mata.


Os animais seguem, mas não antes de receberem nomes. Na última temporada, foi a vez do

Sombra, e de três fêmeas: a Oreia, Pandhora e Fênix. A ideia é monitorar as onças durante pelo menos um ano, tempo estimado de validade dos colares com GPS. Ocasionalmente, alguns param de funcionar antes

.

Estes trabalhos são realizados há oito anos com objetivo de preservar as onças-pintadas. Segundo a Onçafari, o Brasil abriga cerca de 50% das populações de onça ainda existentes. A Amazônia, atualmente, é o maior refúgio para onças ao longo de sua distribuição, seguida pelo Pantanal.



Campo Grande News







Fonte: Campo Grande News
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